TEXTO DO CORREESPONDENTE FABIO OLIVEIRA DO CEARÁ
http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/
Prezados Amigos,
Segue abaixo o texto integral do discurso que foi apresentado pelo Monge Gensho, na qualidade de fundador e responsável oficial do Colegiado Buddhista Brasileiro, no evento ecumênico em favor da paz e justiça em Myanmar, ocorrido no dia 25 de Outubro de 2007 no Templo Busshinji, São Paulo. O evento contou com a presença de vários líderes buddhistas de diversas escolas, assim como representantes da sociedade civil e líderes políticos brasileiros.
Manifesto Buddhista em Favor da Paz e Justiça
Senhoras e senhores, nossos estimados irmãos e irmãs unidos em paz,
Aqui estamos, unidos sob a honrosa bandeira da Compreensão e Fraternidade, além das diferenças, além dos racionalismos e conceitos rígidos, além das superficialidades e hipocrisias sociais, políticas ou religiosas, prontos para nos manifestar fortemente a favor da dignidade humana, do valor à vida e do direito à liberdade.
Seja nas vielas de favelas e guetos, seja nas ruas e moradas pobres ou abastadas , não existe momento mais desafiador para o espírito humano do que aquele terrível instante, quando toda a dignidade, amor e direitos essenciais são retirados de homens ou mulheres, crianças ou velhos, deixando-os despojados da simples e mais valiosa dádiva na sociedade: a justiça democrática e o respeito à integridade individual.
Esta manifestação é feita em prol da vida humana. A prática buddhista se fundamenta no reconhecimento cabal de que as bases psico-emocionais do ódio, da ambição, da violência e da ignorância - extremamente insalubres e destruidoras da vida e do bem-estar - não podem jamais ser transformadas e curadas sem a compreensão de que as injustiças sofridas por um indivíduo não podem ser valoradas em função de distâncias ou fronteiras; cada ação injusta na Terra representa uma vida desrespeitada, seja esta humana (independentemente se sua nacionalidade, cor, credo ou condição social) ou mesmo de outros seres no planeta. Essa é a essência da paz e da compreensão: a sabedoria de praticar o respeito aos seres e ao mundo, sem imaginar que este respeito somente nos fala se ele estiver sendo praticado em nossa comunidade, em nosso país, em nossa vizinhança. Estamos todos integrados, somos todos parte de um processo crucial de crescimento e aprendizagem espiritual - esta é uma verdade inalienável.
O buddhismo, como religião constituída, sustenta-se na prática constante de uma ética da consciência, no exercício permanente de compreensão e compaixão profunda, e no respeito à pluralidade de posturas e convicções. Mas não é uma religião condescendente ao fanatismo, à corrupção política ou social, e ao supremo domínio do poder militar, do terrorismo de estado.
Desta forma, o Colegiado Buddhista Brasileiro, entidade pluralista e multidisciplinar que procura contribuir para o diálogo e a cooperação entre os vários líderes, orientadores e praticantes buddhistas pertencentes às suas diversas escolas tradicionais, vem a público manifestar seu repúdio ao tratamento degradante, criminoso e trágico que o governo ditatorial de Myanmar está perpetrando neste país. Neste momento, monges e civis estão sofrendo mortes, seqüestros, torturas e prisões. Segundo fontes da imprensa os monges tomaram as ruas da capital Yangon e de outras cidades meses atrás entoando trechos de escrituras buddhistas, dentre eles o Metta Sutta que exalta o amor e a compaixão aos seres humanos. O que começou com algumas dúzias de monásticos desejosos de justiça e respeito social para todos tornou-se uma das maiores manifestações naquele país, mas com uma característica ímpar: imbuídos de extrema compaixão, os monges solicitaram à população leiga que não os acompanhassem, nem que fizessem quaisquer movimentos contra o governo, de modo que tais leigos não sofressem represálias.
O direito à palavra, ao protesto pacífico, agora está sendo cerceado e vergonhosamente reprimido, e o uso indiscriminado da força coercitiva está sendo feito com o objetivo de sustentar um governo impróprio e tiranizador, apoiado por políticas espúrias e gananciosas de países poderosos, como a China. Não é preciso muito para se corromper. Um pouco de poder, um pouco de elogio, um pouco de ilusão sobre si mesmo e o passado é esquecido, o caráter moral é colocado de lado, e lavamos as mãos. Desta forma, o governo da China (ele mesmo um dos mais responsáveis por atrocidades e desrespeito aos direitos civis nos últimos 60 anos, em especial no Tibet) - juntamente com outros governos submissos aos ditames da hipocrisia política e ao insaciável vício dos ganhos materiais - têm se mantido declaradamente desinteressado em agir para que o sistema repressor de Myanmar aceite um mínimo de abertura político-social. O governo chinês afirma que a crise na Birmânia é um 'assunto interno'. Mas tal assunto interno não impede ou impediu que por décadas este mesmo governo chinês influenciasse ativamente a política birmanesa e retirasse seus pomposos lucros.
Esse é o mundo em que vivemos, o da mentira institucionalizada, o do lucro pessoal sobrepujando qualquer dignidade e defesa por causas mais que justas.
Em outro extremo, temos a ONU (tristemente diminuída em seu direito e poder como legisladora das melhores práticas na diplomacia mundial, e sem condições para intervir com determinação e eficiência em governos claramente insensíveis aos anseios de seus próprios cidadãos) em uma contínua busca por fomentar um consenso realmente válido entre os países que determinam e controlam suas ações - a saber, os Estados Unidos, a China, Rússia, França e Inglaterra.
Juntamente a estas sérias críticas, o Colegiado Buddhista deseja manifestar o seu mais profundo pesar e protesto ao comportamento covarde e omisso da chancelaria brasileira, em mais um momento importante na história das relações internacionais. O Brasil, certamente o mais influente país da América Latina, não pode sustentar o argumento de que uma opinião oficial a respeito não tenha influência. É certo que uma declaração veemente e direta a favor do bem maior da população civil birmanesa, e uma ação contundente contra aquela ditadura baseada em sanções políticas que não prejudiquem o seu povo, seria uma forma digna e correta do governo brasileiro atual demonstrar-se realmente capaz de agir com força e coragem para contribuir pelo desenvolvimento de uma nova política mundial de inter-relações governamentais, e reforçar o valor do Brasil como um membro atuante e firme no cenário político-social do planeta.
Entretanto, o governo brasileiro mais uma vez prefere fazer-se míope às imagens de sofrimento e repressão (esquecendo do terrível passado ditatorial de nosso país) e surdo aos protestos e ao bom senso, e opta por divulgar uma declaração pobre e superficial, onde admite seu desinteresse e incapacidade em agir de forma soberana e independente. Corroborando pressões de ideologias internacionais perversamente cerceadoras dos direitos humanos, e subordinando-se puramente à sedução das vantagens e lucros adquiridos em acordos econômico de interesse, o governo brasileiro vergonhosamente se faz valer de palavras inócuas, declarações ambíguas e um não-envolvimento inadmissível para um país com tanta influência potencial nos assuntos mundiais como o nosso.
O mundo atual sofre uma grave crise humanista, e não humanitária. Por crise de humanismo queremos dizer uma crise de contato, inter-relações, honestidade e valores éticos fundamentados em consciência e discernimento - e não em políticas de poder militar intervencionista, em discursos diplomáticos inócuos e ineficientes ou em artificialismo assistencialista direcionado às populações em crise.
Esta é uma situação que, em essência, depende de uma corajosa manifestação em favor de ações governamentais renovadoras e claramente eficientes. Ao mesmo tempo, cabe à sociedade civil brasileira - representada pelos seus mais conscientes líderes e organizadores - apresentar ao mundo uma visão integrada, amadurecida, da problemática do sofrimento, da violência e do trato aos regimes de exceção.
Já não cabe mais debatermos fórmulas sobre o fim dos crimes sociais apenas em nossos bairros, cidades e em nosso próprio país; é imprescindível que compreendamos o fenômeno do ódio, da ignorância e da violência tendo como base a natureza insalubre das relações humanas em âmbito mundial, e o caráter completamente incorreto no modo como as instituições sociais e políticas desenvolvem seus parâmetros de ação e gerenciamento das profundas e complexas estruturas organizacionais dos assuntos humanos. O problema não é apenas nosso (dos brasileiros), mas de todos nós (dos seres humanos), em todo o mundo e além de qualquer fronteira.
Colegiado Buddhista Brasileiro
http//cbb.bodhimandala.com
Local do Encontro: Templo Bushinji
Rua São Joaquim n° 285, CEP: 01508-001 - Liberdade - São Paulo - SP – Brasil
abs, Fábio Oliveira
postado por Artur da Távola 2:31 PM
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O AZUL DE MONET
Artur da Távola
Só peço o azul de Monet
Só penso no azul de Monet
Quero distribuir o azul de Monet
O azul de Monet
Ó azul de Monet
O azul de Monet
O azul.
O céu é o azul de Monet.
Dê-me o azul de Monet
Para que eu possa
Enfrentar a vida e a morte.
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postado por Artur da Távola 3:19 PM
CARLITOS
Andei passeando por filmes da TV semana passada para momentos de descanso. E vi de propósito e por acaso, uma série de “desajeitados inocentes” a estrelar, Comecei por rever (sei lá por que quantidade de vezes no DVD) o imortal Carlitos. Revi três grandes filmes dele: “Luzes da Cidade, O Garoto e Tempos Modernos”. Depois, por acaso e boemia mental, andei a ver na TV novas figurações do mesmo conteúdo dele: O Renato Aragão, o Jim Carey numa comédia no sábado. No domingo o Mr. Beans na Rede Bandeirantes. E ainda me presenteei com um Oscarito, um Zé Trindade e um Jerry Lewys, de novo em DVD. Estava necessitado, como se vê.... E me vieram à cabeça as idéias que abaixo exponho:
A naturalidade e a inocência são valores ansiados pelos homens porque a vida e o viver em luta os leva a perder ambas e o sucesso mundano parece basear-se em seus opostos: a artificialidade e a esperteza. O fato de o mais desprotegido, desajeitado, ingênuo e natural ser o escolhido pelos fados para realizar as façanhas da sagacidade, esperteza, superioridade e imprevisibilidade destinadas aos duros e aos fortes, derroga as teorias em nome das qual o homem é o lobo do homem. O interior das fábulas do humor mostra desajeitados, ingênuos e trapalhões conseguindo o amor da mocinha. Há, nessa alegoria, uma verdade profunda: a de que só a inocência pode salvar o homem. É uma entrada da anima onde impera o princípio masculino, opressor. Permanecer alheio às paixões e deixar de ceder aos mecanismos brutais necessários às vitórias (aparentes) revela uma força inesperada (a da inocência) e uma capacidade: a de não deixar de ser quem se é, a despeito de todas às aparências e aos apetites de ganho ou vitória.
O que estala na figura de Carlitos, por exemplo é a originalidade que deriva da inocência.. Originalidade não é excentricidade; é permanecer fiel às próprias origens pessoais e às peculiaridades individuais. Original é o homem que não se conspurca com o comum à média, por mais consagrado o seja. Original é o que mantém viva a criança, a inocência e a natureza própria. Há um traço de solidão e resistência férrea no homem original que indica força. Já o homem médio (não original porquanto imitador do que “deu certo”) é um cão angustiado a ganir proteção e companhia; a ecoar submissão e dependência ainda quando pareça se alimentar da força, do dinheiro ou da cultura, expressões diferentes da mesma necessidade de Poder. O homem original encontra formas pessoais e próprias de enfrentar a vida sem dilacerar o que é internamente. Por isso, na alegoria chapliniana (arquétipo de humor como representação de uma ética humana), o herói parece desajeitado, fraco, incapaz, quando é autêntico, vitorioso, forte e vencedor ao fim da história.
postado por Artur da Távola 3:14 PM
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Não, não, não ! O Brasil não era assim. E nem mais me refiro aos delitos políticos. Diariamente há casos escabrosos de roubalheira, crime e agora até soda cáustica no leite distribuído para vários Estados .
Senhores doutos, cultos, estudiosos, por favor ajudem este velho jornlista.
O que está a ocorrer com o Brasil ?
ARTUR DA TÁVOLA
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postado por Artur da Távola 11:32 PM
Por falar em racismo, lembro que a esmagadora maioria dos períodos mais “negros” da história, foi feita por brancos....
Artur da Távola
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postado por Artur da Távola 9:59 AM